SÃO PAULO - O portal Yahoo! lança hoje no Brasil a sua nova plataforma de publicidade online, batizada de Panamá, e tenta equilibrar no país a briga contra a arqui-rival Google no segmento de anúncios patrocinados no país. A plataforma vai mudar a forma como o Yahoo! distribui anúncios em suas páginas e na de parceiros na tentativa de incentivar os acessos dos usuários e elevar suas receitas com esse tipo de publicidade.
Antes do Panamá, o que ocorria era uma espécie de leilão: os anunciantes que pagavam mais garantiam seus anúncios no topo e nas melhores posições das páginas gerenciadas pelo Yahoo!. Agora, os anúncios serão elencados por relevância, tendo como base uma análise qualitativa automática do interesse dos usuários revelado por suas buscas.
Para o anunciante, o Panamá permite que os anúncios mais pertinentes e mais bem elaborados tenham vantagens sobre os demais. Para os usuários, aumenta a relevância da publicidade a qual serão expostos, com mais ligação com aquilo que buscam , diz o gerente geral do Yahoo Search Marketing Brasil, André Izay. Foi basicamente com essa estratégia que o Google conseguiu a liderança no mercado de links patrocinados, colocando mais ênfase na relevância do que na receita unitária dos anúncios.
Apesar do lançamento hoje, só em outubro começará a classificação dos anúncios por relevância. Segundo Izay, há dois motivos para a demora. O primeiro é dar tempo para que haja a migração dos atuais anunciantes da antiga plataforma para a Panamá. O segundo é gerar um banco de dados com informações que dê condições para a distribuição dos anúncios por relevância.
De acordo com Izay, o objetivo do Yahoo! é ir mais além. O Panamá deverá se tornar, em algum tempo, uma plataforma única para o gerenciamento de publicidade para clientes anunciantes do portal. Por isso, desde sua elaboração, diz o executivo, a plataforma não vai se limitar a copiar o caso de sucesso do Google. As duas empresas são as únicas competidoras relevantes desse mercado atualmente no país.
Uma das diferenças é a possibilidade de realizar campanhas direcionadas a regiões geográficas específicas. Dessa forma, um anunciante de carros de São Paulo não corre o risco de ter seu anúncio distribuído para um usuário no Nordeste - e que não vai gerar nenhum resultado.
Outro aspecto diferente são os mecanismos de análise e gerenciamento das campanhas. Todos itens de série , sem custo adicional, diz Izay. Se os anunciantes vão utilizar todas as ferramentas ou não, isso não fará diferença para a empresa, e dependerá principalmente das necessidades do cliente, que pode ser tanto uma grande corporação quanto um profissional liberal. No Panamá o cliente terá uma série de relatórios online, por exemplo, sobre como os anúncios estão sendo entregues, qual o potencial de tráfego que está ou não utilizando , afirma. Essa ferramenta de análise de tráfego, inclusive, pode ser uma alavanca de negócios para o Yahoo. Com ela, uma empresa pode descobrir que tem um potencial de tráfego - por conta da análise das palavras chave buscadas que constam do grupo de seu anúncio - superior ao volume de exposição comprado e, consequentemente, pode decidir investir mais.
De acordo com o executivo, a mudança para a nova plataforma também vai influenciar na distribuição de publicidade nos parceiros do Yahoo. Todas as ferramentas do Panamá estarão disponíveis para os parceiros que utilizam o sistema de gerenciamento de anúncios da companhia, diz Izay. Dessa forma, o Yahoo pretende potencializar ainda mais o crescimento de sua receita com links patrocinados, os tornando mais relevantes mesmo em páginas de parceiros.
O potencial de crescimento desse mercado de links patrocinados, diz Izay, é o principal ponto que levou o Yahoo a lançar o Panamá no Brasil de forma quase simultânea ao lançamento dos EUA. É também o que, alega, faz do país um dos que mais crescem em importância para a empresa.
O Brasil tem uma taxa de crescimento e um potencial de expansão muito grandes. Se nos EUA a participação da publicidade online é de 8% no mercado total, no Brasil ela é de 2% , afirma. Por isso, independentemente do volume desse mercado no Brasil - que já é extremamente relevante -, é possível multiplica-lo por quatro, só com base em sua maturação , explica.
Em janeiro deste ano, a Yahoo projetava um crescimento de entre 25% e 30% no mercado de publicidade online no Brasil. Em termos de receita no país, a projeção era de aumento de 50%.
Lançado em fevereiro nos EUA, em abril no Japão e em maio na Europa, o Panamá não teve impacto significativo no resultado da empresa no primeiro trimestre - quando seu lucro líquido caiu 11%, para US$ 142 milhões, abaixo do esperado pelo mercado. À época do lançamento, porém, a empresa afirmou que os resultados só começariam a aparecer a partir do segundo trimestre - cujos resultados serão divulgados amanhã.
(José Sergio Osse | Valor Online)
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