Mês passado completaram-se sete anos do estouro da bolha pontocom, quando o índice Nasdaq Composite chegou a um pico de 5.048 pontos, mais que o dobro do seu valor apenas um ano antes.
O que se seguiu foi um banho de sangue de demissões causadas em muitos casos por “dot bombs” – empresas lançadas com grande exuberância para arrebanhar tanto território na internet quanto pudessem sem montar um modelo bem-sucedido de geração de receita.
Em 2007, novas tecnologias de internet possibilitam uma nova corrida por start-ups e dores de cabeça na indústria para lidar com a energia fervilhante associada à Web 2.0 com seus wikis, blogs, podcasts, widgets e redes sociais para expandir rapidamente os seus domínios da internet.
A Cisco Systems Inc., por exemplo, adquiriu neste ano duas empresas cujo foco está nas redes sociais, ao mesmo tempo em que o capital especulativo flui para firmas recém-criadas como a Eons Inc., que está construindo uma rede social para o público com mais de 50 anos, e a Geni Inc., que monta uma rede social para as famílias.
Mas enquanto o fenômeno da Web 2.0 pode ter algumas coisas em comum com a bolha da internet, os especialistas notam que há grandes diferenças, incluindo o baixo custo de entrada para empresas que lançam negócios de blog, wiki e redes sociais e a maturidade da infra-estrutura, como a largura de banda que é necessária para suportar diversas tecnologias da Web 2.0.
A principal diferença, entretanto, é que desta vez são os consumidores que estão forçando a adoção de tecnologias, ao invés das empresas tentarem forçar os seus sites goela abaixo dos usuários.
De fato, ao invés de estacionar nas calçadas da Web 2.0 esperando uma possível bolha, as empresas deveriam abraçar as novas tecnologias ou arriscar perdê-las para a concorrência, diz Andrew McAfee, professor associado da Harvard University que cunhou o termo Enterprise 2.0.
“O que aconteceria se elas decidissem ignorar este fenômeno, ao contrário dos seus concorrentes, que se tornassem capazes de colher esta energia que vemos na Web 2.0? Esta é a questão-chave para os executivos”, diz.
McAfee não espera que uma corrida para criar uma Web 2.0 baseada em sistemas leve a uma nova bolha pontocom que explodiria sob a influência de negócios fracassados. “A primeira vez foi tão grande e o colapso foi tão imenso que eu tenho problemas em acreditar que a coisa será tão grande desta vez”, complementa.
Ainda por cima, acrescenta, os investimentos de capital de risco nas novas firmas são geralmente muito menores do que aqueles durante o final dos anos 90, e as companhias que recebem estes recursos “têm mais do que um plano de negócios em PowerPoint. Talvez elas não tenham lucro de vez em quando, mas elas têm um produto e alguns consumidores”.
Pioneiro da internet é 2.0
Como co-fundador da Netscape Communication Corp. e co-autor do navegador Mosaic, Marc Andreessen tem desempenhado um dos papéis principais no crescimento da internet. Em fevereiro, a sua companhia Ning Inc destinada a hospedar redes sociais para usuários concluiu sua segunda maior divulgação. Durante suas duas primeiras semanas de funcionamento, os usuários utilizaram o produto para criar nada menos do que 15 mil redes sociais, diz ele.
Enquanto as corporações historicamente têm mantido portas fechadas sobre os conteúdos de suas companhias, uma nova geração de usuários está agora encarregada de gerar conteúdo justamente sobre essas mesas companhias.
“É como aquela velha piada que pergunta: onde estamos indo? Eu sou o líder e devo acompanhá-los’. Em muitos dos casos, os consumidores estão correndo atrás dessas oportunidades, tentando fazer com que as empresas sirvam a eles”, arremata Andreessen. Na avaliação do executivo, existirão “milhares de redes sociais e todo mundo vai utilizá-las nos próximos cinco anos”.
Gina Bianchini, CEO da Ning, adiciona que os riscos de mudar para um mundo de Web 2.0 são muito menores do que aqueles que enfrentados por companhias que criaram seus produtos para web na década de 90. Tais esforços prematuros exigiram projetos caros de construção de infra-estruturas de TI, destinados a suportar justamente essas novas ofertas.
“Estamos vendo companhias utilizarem soluções como as da Ning por literalmente 30 dólares por mês. Se você investir em algo que custa à sua companhia 30 dólares por mês, será muito diferente do que aconteceria com algo que custa 50 milhões”, resume.
Fonte: Computerworld
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Web 2.0: uma nova bolha?
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